segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Biscoitinhos, bolachas, cookies, etc...

Há algum tempo minha mãe chegou com essa receita em casa, louca para experimentá-la. Como a fonte é mais do que confiável eu fui sem medo pra cozinha, mas na hora da execução tive um probleminha... As quantidades de líquido e gordura não são suficientes para dar liga na massa, e tive que ir colocando leite até conseguir o ponto certo. No final das contas a receita é muito boa: os biscoitinhos ficam deliciosos, azedinhos e com um aroma inebriante de limão. Aprovada!

Ontem, no final do dia, deu aquela vontade de fazer biscoitinhos para acompanhar o café-da-manhã. Recorri novamente à receita, mas os limões não estavam com muito caldo e também não estavam muito bonitos. Resolvi continuar com a idéia, aproveitando um restinho de leite de coco e um pacote pela metade de coco ralado que estavam esquecidos na geladeira, e fiz assim:

- Em uma tigela misturei 200g de manteiga em temperatura ambiente com 1 xícara de chá de açúcar (da próxima vez vou usar menos manteiga, ficou mais gorduroso do que eu queria);
- Em uma tigela maior misturei 2 xícaras de amido de milho com 1 xícara e 1/2 de farinha de trigo peneirada, mais o meio pacote de coco ralado;
- Fui acrescentando a mistura seca à mistura de manteiga e açúcar aos poucos, amassando sempre. Foi nesse ponto que, como da outra vez, não consegui o ponto certo para amassar, e então, sem entrar em pânico, fui colocando o leite de coco aos pouquinhos e misturando a massa até formar uma bola. Aí é só moldar do jeito que você preferir... Na receita original são feitos "nhoquinhos" riscados com um garfo, mas eu gosto de fazer bolinhas e depois amassá-las um pouco com um garfo. Na verdade, isso nem adiantou muito porque como eles ficaram muito gordurosos, derreteram no forno e ficaram parecendo cookies.



A receita original pede para colocar os biscoitos em fôrma untada e enfarinhada, mas não precisou. Diz também que eles devem ficar no forno por meia hora, mas eu tirei bem antes disso e só esperei as bordas ficarem douradinhas. Depois é só colocá-los em uma grade pra secarem e endurecerem um pouco.
Eles ficam crocantes por fora e macios por dentro, com um gosto bem pronunciado de coco e manteiga. Muito gostosinhos para acompanhar um chá...
Beijos e bom apetite!! ;D

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

L'amour est doux... Trés doux!

"L'amour n'est qu'une illusion visant à rendre plus doux le quotidien."

("O amor é uma ilusão para tornar mais doce o cotidiano" - Provérbio francês anônimo).


"O Beijo do Hotel de Ville", de Robert Doisneau (Paris, 1950).

Um post rápido e apaixonado: o Cabeludo voltou finalmente, e com ele a minha inspiração também está de volta! Agora sim a vida voltou ao normal, e a rotina do blog também... ÊÊÊÊÊÊ!! :D

Ele trouxe ele algumas coisinhas que eu havia pedido, e outras que foram uma total surpresa pra mim...

...como os sushis que ele comprou na Liberdade um pouco antes de voltar. Por incrível que pareça chegaram aqui -quase- perfeitos! Eu almocei todos logo depois, com uma certa ajuda do braço que aparece na foto, hehehehe...


Também ganhei gotas de chocolate, farinha de amêndoas, favas de baunilha Bourbon (todos impossíveis de se encontrar aqui em Brasília); e vááários chicletes japoneses. Segundo ele os chicletes vieram porque não tinha como trazer um picolé Melona pra mim... É um amorzinho mesmo! Aliás, esse é um amor DOCE, hehehehe!!!

Como vocês podem ver não são presentes totalmente desinteressados, tendo em vista que ele será o provador oficial das receitas que virão. Mas, ao contrário do comentário do meu irmão que disse que "depois que eu comer meus presentes não vai sobrar nada pra guardar", eu adoreeei! Gosto muito de ganhar presentes "culinários", e já estou cheia de idéias para usá-los. Logo logo vocês verão o destino que será dado para essas delícias!

Ah, e como não podeia deixar de ser, tenho que registrar aqui um enoooorme agradecimento e um beijão para a Simone, a Cinara e a Pat Scarpin pela ajuda imensa que deram ao indicar as lojas em Sampa. Meninas, as dicas valeram muito! Sem vocês o pobre Cabeludo ficaria perdido e eu não ganharia nada disso... Obrigada! ;D


Beijos e bom apetite!!!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Fim de semana "orgânico"...

Nesse final de semana fui visitar minha família no interior de Goiás, e como sempre foi uma delícia (tirando a campanha política barulhenta e irritante). Visitamos a fazenda de um tio e de lá trouxemos algumas delícias de encher os olhos, que decidi compartilhar aqui no blog...

Quando a fazenda foi comprada, meu pai resolveu dar de presente para meu tio 50 pintinhos de galinhas D'Angola "para enfeitar". Me arrependi de não ter levado a máquina fotográfica para mostrar pra vocês como elas estão fofas! Só é meio chato ouvir 50 galinhas cantando "tô fraco, tô fraco" o dia inteiro...

Elas são criadas soltas, comendo apenas milho, insetos e as plantinhas que elas acham. Nada de antibióticos ou qualquer "engordativo". Na verdade elas estão lá só para enfeitar mesmo, o que agora me parece um desperdício. Descobri que elas têm a carne deliciosa, e que na França a pintade (como é chamada lá) é comparada ao faisão devido à qualidade superior da carne. Mas ai de mim se sugerir comer pelo menos uma delas! Meu pai e meu tio me matam, hehehehe!!!

Estes aqui são os ovinhos delas...




Olhando assim não são muito diferentes dos ovos comuns, mas quando são colocados lado a lado com o ovo de uma galinha caipira...



O ovo da galinha D'Angola é esse mais gordinho e pontudo, e é um pouco menor.

Agora, comparando os dois ovos orgânicos com um ovo de galinha (anêmica) de granja, comprado no mercado...



O ovo "industrializado" é maior, e a casca é finíssima (sinal da deficiência de minerais). A gema é pequena e de uma cor amarela pálida. A clara é abundante e mais líquida.

Os ovos orgânicos têm a casca um pouco mais grossa e geralmente colorida, a gema é bem alaranjada e a clara é um pouco mais consistente.

O ovo da galinha D'Angola tem a casca super dura, pouquíssima clara (que é mais gelatinosa) e a gema grande e bem alaranjada. O gosto é absolutamente normal. Aliás, eu achei o gosto dele até melhor do que do ovo da galinha comum porque tem um sabor mais suave (e olha que eu detesto ovo frito). Ele fica muito bonitinho no prato, é bem pequenininho. O interessante é que nos ninhos das Angolinhas é comum achar mais ou menos 50 ovos (nós achamos 40), porque todas botam no mesmo ninho. O difícil é achar o ninho, porque elas têm mania de escondê-lo...

Apesar de serem menores no tamanho, o custo-benefício dos ovos orgânicos é enorme porque são muuuuito mais saudáveis. A desvantagem é que quando usados em receitas, a quantidade de ovos terá de ser maior. Aliás, acho que o ovo da D'Angola nem dá pra usar em receitas porque quase não tem clara.


O outro tesouro trazido da fazenda foram os cajus... Nessa época do ano os pés de cajuzinho-do-cerrado selvagens estão carregados. Ele é bem menor que o caju comum, e tem a casca rosa avermelhada. O pé também é menor, e a castanha é bem pequenininha. Aqui estão eles, junto dos cajus comuns que também estavam abundantes...


Alguns estão com buracos feitos por passarinhos e insetos... Isso sempre é um bom sinal!

Como eles estavam bem doces, fizemos assim: batemos as frutas inteiras (sem o caroço) no liquidificador, e sem colocar água. Esse líquido foi coado em uma peneira fina, e a massa que ficou na peneira foi espremida para tirar o máximo do suco e reservada.
O suco quase não precisou de açúcar, e colocamos um pouco de água e bastante gelo. Uma delícia no calor que estava fazendo!
A massa espremida foi colocada em uma panela com o mesmo peso dela de açúcar e meio copo de água. Essa mistura ficou no fogo até atingir "o ponto de bala de puxa", como minhas tias dizem. Depois de frio, o doce foi enrolado em formato de cajuzinhos, que foram passados no açúcar...

É uma pena que, por morar em grandes cidades, muitos de nós (inclusive eu) não conseguem ter acesso frequente à este tipo de alimento. Por isso precisamos incentivar os produtores orgânicos da nossa região! E devemos buscar sempre alternativas mais saudáveis para nossa alimentação, além de procurar ter um consumo mais consciente... A natureza e o nosso corpo agradecem! ;D

Beijos e bom apetite!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Relíquias para adoçar a boca e a alma...

Ainda no clima de "viagem à infância" trazido pela brincadeira do post anterior, fui mexer nos livros de culinária antigos da minha mãe e encontrei a coleção "As Mais Famosas Receitas das Nossas Avós", que foi a grande inspiração para as viagens gastronômicas da minha infância (dentro da minha cabeça, é claro). A coleção é composta de receitas portuguesas, francesas, espanholas, japonesas, alemãs, árabes, chinesas e italianas; todas recuperadas de antigos cadernos de receitas das avós que vieram pro Brasil.

Estes livros são um tesouro pra mim, não só pela beleza das fotos, mas principalmente pela diversidade das receitas. Cada uma mais deliciosa que a outra...



Não é segredo nenhum que eu sou fanática por doces (ainda bem que fico muito mais feliz fazendo-os do que comendo!). Olhando no meu volume preferido, o da Itália, encontrei uma receita linda e que sempre me deixou com água na boca: Crostata di Mele. Nada mais é que uma tarte de maçã, e como tudo o que leva essa fruta, deixa um perfume delicioso pela casa...



CROSTATA DI MELE


Massa:

1 ½ xícara (225g) de farinha de trigo
4 colheres de sopa (60g) de manteiga (pra mim acabou sendo pouca manteiga, tive que colocar umas duas colheres a mais)
½ xícara (70g) de açúcar cristal fino
1 gema
Casca ralada de ½ limão
Uma pitada de sal


Creme:

4 gemas
3 colheres de sopa (45g) de açúcar
2 colheres de sopa (15g) de amido de milho
2 xícaras (480ml) de leite
1 colher de chá de casca de limão ralada
2 biscoitos tipo champanhe esfarelados
Uma pitada de sal
*Coloquei extrato de baunilha também, porque não pode faltar, hehehe...


Cobertura:

2 maçãs (quanto mais ácida, melhor!)
2 colheres de sopa (30g) de açúcar cristal
3 colheres de sopa de geléia de damasco
2 colheres de sopa (30ml) de rum ou conhaque


Preparo da massa:

Em uma tigela grande, peneire a farinha de trigo e o sal. Faça um buraco no centro do monte e junte a manteiga, o açúcar, a gema e a casca de limão. Misture bem os ingredientes no centro e vá juntando aos poucos a farinha ao redor, sem trabalhar muito a massa, até incorporar bem todos os ingredientes. Faça uma bola com a massa, envolva-a em filme plástico e deixe na geladeira por aproximadamente 30 minutos.
Unte com manteiga uma fôrma de 24cm de diâmetro. Retire a massa da geladeira, forre a superfície de trabalho com plástico e abra a massa sobre ele com um rolo de cozinha. Vire a massa sobre a fôrma com o plástico para cima e ajeite-a com as pontas dos dedos. Retire-o e corte os excessos de massa nas bordas. Faça furos no fundo da massa com um garfo e leve à geladeira por mais 30 minutos.

Enquanto isso, prepare o creme:

Em uma tigela, bata as gemas até ficarem esbranquiçadas. Junte o açúcar aos poucos e continue batendo até obter um creme fofo.
À parte, dilua o amido de milho no leite. Em seguida, incorpore o creme de gemas delicadamente e junte o sal, a casca de limão ralada e a baunilha (opcional).
Passe a mistura para uma panela e leve ao fogo brando, mexendo sempre, até formar um creme espesso. Retire imediatamente do fogo e deixe esfriar.

Pré-aqueça o forno a 180ºC em temperatura média. Descasque as maçãs, retire o miolo e corte-as em fatias finas.

Retire a fôrma com a massa da geladeira e polvilhe-a com os biscoitos esfarelados. Em seguida, cubra com o creme já frio.
Distribua as fatias de maçã em círculos sobre o creme, começando pela borda, de maneira que as fatias fiquem ligeiramente sobrepostas. Faça vários círculos até cobrir o creme totalmente e em seguida polvilhe com açúcar cristal (polvilhei um pouco de canela também, mas da próxima não vou colocar). Leve a torta ao forno e asse por 20 minutos aproximadamente (ou até começar a dourar).

Enquanto isso, em uma panelinha, misture a geléia de damasco com o rum ou conhaque e leve ao fogo brando até dissolvê-la.
Retire a torta do forno, espalhe a mistura de geléia por cima e volte ao forno por mais 10 minutos (deixei 5 porque a massa já estava mais dourada do que eu queria).

Retire do forno, deixe esfriar um pouco, e sirva ainda morna.

Rende de 6 a 8 porções.


As manchas escuras são da canela, que acabou caindo mais em alguns lugares que em outros...

Fica deliciosa, e com certeza será repetida... Ah, e contrariando a história, finalmente consegui abrir a massa perfeitamente, como manda a receita! ;D






Beijos e bom apetite!!!

domingo, 21 de setembro de 2008

Brincadeira gostosíssima!

Para alegrar um pouco o blog estou postando uma brincadeira muito divertida que a Nana criou para comemorar o dia das crianças que está chegando. O joguinho é para falarmos um pouco sobre nossas memórias culinárias...

Funciona assim:

Albúm de figurinha - Colocar o selinho da brincadeira no post
Hora do Recreio - Contar qual era a melhor brincadeira de criança da sua infância
Brincando de Casinha, ou melhor, de Cozinha - Escrever a receita que fazia o maior sucesso na sua infância
Passa passa 3 vezes - Escolher 3 blogs e chamar as amigas (ou os amigos) para brincar
Telefone sem fio - Informar para os blogs escolhidos sobre o desafio que mais parece uma brincadeira de criança...

Então aqui vou eu!

Hora do Recreio:

Minha infância nem faz tanto tempo assim mas já sinto saudade dela, hehehehe!

Fui uma criança criada metade do tempo na cidade, metade do tempo no interior. Como meus pais sempre trabalharam muito, eu e meus irmãos ficávamos em casa brincando juntos. Na verdade o Ernesto sempre sofreu com a “síndrome do irmão mais velho” e não participava muito das brincadeiras. Preferia passar horas a fio lendo ou assistindo TV.
Eu e o Leandro, que é o caçula, chegávamos da escola e corríamos para pegar o Playmobil e o Lego... Era tããão legal!!! E ele sempre brincava de casinha comigo, andava de bicicleta... Também brincamos muito na horta casa, e me lembro que nas férias as minhas unhas ficavam bem sujas de terra e os pés encardidos de tanto andar descalça, hehehehe!


O nosso era exatamente esse dos bombeiros, hehehe!!! (Fonte: Gameland)


Com o Ernesto as brincadeiras eram outras. Eu adorava assisti-lo jogando Super Mario World... Até hoje quando o Lucas dá seus surtos de voltar à infância e jogar esse jogo eu fico me lembrando do meu irmão, e principalmente da frustração dele quando não conseguia passar as fases...
Nos dias de chuva nós assistíamos "Rá-Tim-Bum" (quem não se lembra do "senta que lá vem a história"?) e "Glub Glub", comendo rosquinhas de coco Mabel e tomando leite com Toddy.

Nas férias íamos para a casa da minha avó no interior de Goiás. Era bem melhor, muito mais liberdade! Pescarias, banho nos cachorros (com os cachorros, melhor dizendo), fazer comidinha com barro, criar fazendinhas em miniatura...


Brincando de Casinha, ou melhor, de Cozinha:

Tenho várias receitas que fizeram parte da minha infância. Inclusive, algumas eu já até postei aqui, como o Bolo de Cenoura, o Bolo de Mandioca e a Banana Caramelada.
Uma memória bem presente pra mim e que infelizmente eu não poderei passar a receita é do biscoito de polvilho que a minha avó fazia. Era tão gostoso, crocante, salgadinho... Infelizmente, vovó Dita morreu e ninguém nunca mais conseguiu fazer os biscoitinhos como ela fazia. Uma pena...
Lembro-me bem que no dia em que ela morreu havia uma lata com a última fornada dos biscoitinhos, que uma tia minha fez questão de dar para o meu irmão mais novo junto com um travesseiro que ele sempre usava quando ia pra lá...

Acho que esse biscoitinho é uma das partes mais marcantes da minha infância, e infelizmente é um gosto que nunca mais sentirei...

Passa passa 3 vezes:

Já deu pra perceber que eu adoro ouvir e contar histórias. Gostaria de saber da infância de todo mundo, mas como Nana me pediu pra passar a brincadeira para três pessoas, eu escolho:

Risonha (que de vez em quando conta as aventuras da Risonha Júnior, hehehe)
Vivian (mãe da lindinha da Kiara)
*Estas duas mamães estão construindo ótimas memórias gustativas nas suas filhotas... Não vai demorar muito e a cozinha delas terá duas pequenas e esforçadas ajudantes (e degustadoras!)

e a Ameixa (que como eu, vez ou outra posta uma receitinha de infância dela)

Também estou presenteando estes três blogs com o selinho “Brillante Blog Award”, que recebi da querida Rita. ;D


E para as pessoas queridas que me deram outros selinhos, podem ficar tranquilas que eles serão repassados com muito carinho, ok?
Ah, e para quem andou perguntando sobre forminhas de madeleines e muffins no eBay, vou colocar alguns links com sugestões em breve... É só esperar!
Beijos e bom apetite!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Madeleines com saudades...

Passei mais de uma semana sem postar nada e mais tempo ainda sem visitar outros blogs, mas tudo isso tem explicação: é a tensão pré-viagem e a tristeza pós-viagem.

Minha equipe está desfalcada. O Cabeludo foi pra São Paulo passar duas semanas estudando e trabalhando... Pode parecer pouco para algumas pessoas, mas eu sei que as namoradas, noivas e esposas choronas e exageradas me entendem. Ele foi e levou com ele a minha inspiração culinária...

A única coisa que eu pensei em cozinhar nesses dias foram madeleines. Procurei receitas e mais receitas, e até achei algumas legais no site da Martha Stewart, mas acabei fazendo a receita da Cinara que é muito próxima da receita tradicional francesa, que leva manteiga, farinha de trigo, açúcar, limão, ovos e sal (às vezes mel também). Sem fermento.

Um pouquinho de história não faz mal, então vamos lá. Dizem que esses bolinhos foram feitos pela cozinheira Madeleine Paumier para servir ao rei da Polônia, que ficou tão encantado com a criatividade da cozinheira ao assar os bolinhos dentro de conchas de vieiras que batizou a gostosura com o nome dela. O resto da história a gente já conhece, como a paixão de Marcel Proust por elas e a inspiração para "Em Busca do Tempo Perdido", vinda de uma mordida em uma madeleine que o levou direto à sua infância.

Quando fui comprar a fôrma, escolhi uma que tivesse o formato mais próximo das vieiras, mas também que tivesse as conchinhas mais arredondadas (a Pat Scarpin do Technicolor Kitchen mostrou bem a diferença entre os formatos aqui). O probleminha é que quando a bendita chegou eu não acreditei: eram graaandes! Não tão grandes quanto a concha gigante da Rita (que eu adorei), mas muito maiores do que as que vi sendo vendidas em saquinhos naquelas máquinas de moedas no metrô de Paris. "Tudo bem, como são grandes eu como uma só eu já vou ficar satisfeita..." (Ah, tá bom. Vai nessa...)

Pois então. Fui para a cozinha munida da receita e completamente desconcentrada, pensando no Cabeludo a milhares de quilômetros daqui. ATENÇÃO: é altamente NÃO RECOMENDÁVEL cozinhar com pressa ou pensando em qualquer coisa que não seja aquilo que você está fazendo. O resultado óbvio aconteceu: duas queimaduras, uma no pulso e uma no mindinho; e um chororô danado depois.

Entre (quase) mortos e feridos, salvaram-se as fofíssimas madeleines...



Polvilhada com açúcar de confeiteiro ficou ainda mais bonitinha...

Uma mordida nessa fofura...

Para o meu forno bastaram 10 minutos, mas achei que elas ficaram muito branquelas. Ainda assim consegui os "calombos"! E só renderam 10 unidades porque as cavidades da minha fôrma são mais "rechonchudas", mas isso já é o suficiente para afogar as minhas mágoas acompanhadas de uma boa caneca de chocolate quente...

Agora é só esperar o querido chegar para ter a minha inspiração de volta, juntamente com os presentes que estão prometidos, hehehehe!!

Beijos e bom apetite!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Presente é bom e eu gosto!

Há algumas semanas eu contei aqui que fui sorteada no blog Clumbsy Cookie da Rita e ganhei um cake lifter (para quem não conhece, é um tipo de molde vazado para decorar bolos). Pois bem, na semana passada eu estava em casa toda folgada quando ouvi a buzina do entregador dos Correios... Me deu um estalo: "É pra mim! É meu presente!" Mal consegui conter a minha felicidade, e até o entregador riu quando me viu ir correndo para o portão toda descabelada...

A Rita não se contentou em me deixar feliz só com o presente (que já é o máximo), mas também mandou uma edição da revista TeleCulinária maravilhosa (com um especial de receitas com figos que é a cara dela, hehehe) e um cartãozinho que é um amor... É uma delícia ganhar presentes, mas é mais gostoso ainda quando é inesperado! Olhem que coisa mais linda...



Imaginem o tamanho do meu sorriso enquanto tirava essa foto...

Passada a histeria do momento da entrega, fui pra cozinha testar os presentes com uma receita da própria revista. A receita do Bolo Rápido de Chocolate é ótima, mas pra variar eu dei os meus toques.

Vi um dia desses no programa da Oprah a Jessica Seinfeld (esposa do comediante americano Jerry Seinfeld). Ela lançou um livro chamado "Deceptively Delicious", onde ela ensina a fazer receitas para o dia-a-dia nas quais ela acrescenta purês de frutas, verduras, grãos e legumes para fazer com que as crianças comam alimentos mais saudáveis sem perceber. Quer coisa melhor que isso?


Inspirada pela idéia dela de um brownie com purê de beterraba, fui fazer o Bolo Rápido e acrescentei o purê de uma beterraba média na massa.


Bolo Rápido de Chocolate (TeleCulinária) à la Jessica Seinfeld


250g de farinha de trigo

180g de açúcar em pó (usei açúcar cristal comum, mas da próxima vez vou colocar metade de açúcar mascavo claro)

125g de chocolate em pó (usei um pouco mais para ajudar a mascarar a beterraba)

100g de margarina amolecida (temperatura ambiente)

4 ovos

2dl ou 1 xícara de chá de leite (eu coloquei 3/4 de xícara por causa da beterraba)

1 colher de chá de fermento

Raspas de limão (não coloquei, preferi usar extrato de baunilha)

*Purê de uma beterraba média cozida (acréscimo por minha conta)

Açúcar em pó (de confeiteiro) para polvilhar



Pré-aqueça o forno a 180ºC.

Numa tigela, bata a margarina com o açúcar até ficar uma mistura lisa. Enquanto isso, na batedeira, bata as claras em castelo, ou até formarem picos.

Adicione as gemas dos ovos uma a uma à mistura de manteiga e açúcar, batendo sempre. Junte depois o leite, a farinha, o chocolate em pó, o fermento e as raspas de limão (foi nessa hora que eu coloquei a baunilha e o purê), e misture bem. Incorpore delicadamente as claras à massa e coloque em uma forma previamente untada e enfarinhada (dividi a massa igualmente e usei duas formas de 18,5cm).

Leve ao forno por aproximadamente 40 minutos. Faça o teste do palitinho para verificar se está pronto e retire do forno. Depois de frio, desenforme e polvilhe com açúcar.

E foi nessa hora que eu usei o meu outro presente! :D



Deixando a modéstia completamente de lado, o bolo não ficou só bonito não... Ficou delicioso!

A beterraba quase não aparece, e o pouquinho que ela se pronuncia combina perfeitamente com o chocolate. A massa fica com uma cor vinho linda, mas o bolo pronto fica com a cor marrom-escura normal. O resultado é um bolinho super fofo e bem molhadinho. APROVADO! E olha que eu escolhi a beterraba justamente porque detesto e só conseguiria comê-la bem escondida...

O cake lifter deixou tudo mais bonito, mais especial... Usei açúcar impalpável para polvilhar (um tipo de açúcar refinado ainda mais fininho, parecido com talco), e ainda pensei em colocar um recheio entre os dois bolinhos, mas aí o propósito de fazer uma coisa saudável iria por água abaixo...


Ah, e como se não me bastasse a felicidade de ganhar os presentes da fofa da Rita... Ganhei o mesmo selinho lindo do Vitor, da Alice e da Romy, três pessoas queridas e de blogs que realmente valem ouro! Uma coincidência deliciosa... Obrigada pelo mimo!!!

Ai... É tão difícil escolher só cinco pessoas!!! Aqui vão alguns dos blogs que eu acho que valem ouro, assim como as pessoas maravilhosas que os comandam; mas a minha vontade mesmo era dar o selinho pra um mooonte de gente!!!

Clumbsy Cookie da Rita, como não poderia deixar de ser;

O Bolo Fofo da Manu;

Banquetes e Lanchinhos da Téia;

Na Cozinha Dela da Tamy;

e Umbigo no Fogão da Dani Rollemberg.

E para quem se interessou, o site da Jessica Seinfeld está aqui no blog, na área "Sites que Valem a Pena".

Beijos e bom apetite para todo mundo!!!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Natal no meio do ano!

Já fazia algum tempo que eu estava louca por formas de muffins e de madeleines. Como não queria pagar um preço injusto, resolvi pesquisar bastante antes de escolher.

Olhei bastante no Mercado Livre e no eBay, e cheguei à conclusão que seria melhor mandar vir dos Estados Unidos do que comprar por aqui. Os produtos eram melhores, e mesmo com o valor das taxas do cartão de crédito e do eBay (que acabaram sendo mais caras que o produto) compensou muito mais...


Para vocês terem uma idéia, o preço total que eu acabei pagando (taxas + preço das duas formas) foi mais ou menos o preço de uma única forma de muffins de boa marca aqui no Brasil. A de madeleines eu já cansei de procurar do jeito que eu queria, então não sei nem quanto custa aqui... Comprei duas pelo preço de uma! Não dá, né? Esse povo aqui no Brasil brinca com a nossa cara...

No meio da minha pesquisa descobri também que seria melhor comprar as duas formas em metal revestido com teflon porque (dizem por aí) ele assa melhor que o silicone e a limpeza é bem mais fácil. E no caso das madeleines o metal é melhor também porque facilita a formação do “calombo” típico desse bolinho.

Pedi pro Cabeludo comprar pra mim (namorado liiindo e prestativo!). O difícil pra ele foi agüentar a minha agonia e espectativa durante as três semanas de espera... No dia que ele chegou com as formas eu fiquei tão feliz que parecia manhã de Natal! Não parava de sorrir e fazer planos sobre as maravilhas que eu faria com meus novos brinquedos.

No mesmo dia que elas chegaram eu fiz os muffins de queijo e presunto do Vitor Hugo (só que com presunto defumado) e ficaram deliciosos.


Na sexta-feira passada eu estava dando uma olhada na geladeira e descobri algumas cenouras "dobrando o cabo da boa esperança". Para salvá-las da lata de lixo resolvi fazer o meu velho e infalível Bolo de Cenoura, só que dessa vez em formato de cupcakes (como a Cinara fez).
Inspirada também pela Regina, eu coloquei um quadradinho de chocolate ao leite no meio da massa e cobri com raspinhas de chocolate.

Nem preciso dizer que acabou em dez segundos... Mas preciso pedir desculpas pela foto tosca, hehehe! Eles assaram um pouco além do que eu gostaria porque ainda não me acostumei com o tempo de forno das novas formas, mas ficaram bem gostosinhos. Aprovados pelo Cabeludo, o meu "patrocinador"!


Eles acabaram tão rápido que não deu nem tempo de tirar a tradicional "foto da mordida"...


Agora só está faltando testar a forma de madeleines, mas já me sinto confortada ao saber que ela está aqui comigo, à minha disposição... : )


Beijos e bom apetite!!!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Bruschettas para a convalescente...

Durante os dias em que eu fiquei com dor de garganta, só uma coisa passava pela minha cabeça: bruschettas. Prometi a mim mesma que seria a primeira coisa que eu comeria depois de sarar. Dito e feito!

O Cabeludo providenciou um santo remedinho que me fez ficar boa rápido, e assim que eu voltei a comer coisas mais consistentes decidi colocar meus planos em prática e tirei o atraso: três bruschettas, cada uma de um sabor diferente, para agradar todas as minhas múltiplas personalidades.

A base foi a mesma para todas: tomates maduros sem sementes picados, um fio de azeite, sal, orégano, tomilho e mangericão para temperar (a santíssima trindade dos temperos pra mim). Misturei também um pouco de parmesão ralado para dar uma "liga" nos tomates quando assados.

Não havia pão italiano, mas minha fome não se deixaria abater por esta adversidade: fiz com fatias de pão sovado cortado fininho. Coloquei umas gotinhas de azeite e esfreguei alho nas fatias, tostei-as e coloquei a cobertura. Na primeira, apenas uma fatia generosa de presunto de peru coberta com os tomates. A segunda levou a mistura de tomates e alguns pedacinhos de queijo gouda. A terceira foi igual à segunda, mas levou um pedacinho de gorgonzola.

Na foto vocês podem perceber que o mofinho delicioso do gorgonzola ficou meio esquisito depois de passar pelo forno, mas isso não prejudicou o sabor... O pão sovado é que não foi aprovado: ele encharca com o caldo dos tomates e é muito adocicado. Não tem jeito: "Em Roma, aja como os romanos". Literalmente! Se você quer fazer uma receita italiana dar certo (nem que seja uma coisa simples como bruschetta), tem que fazer como e usar o que eles mandam... Bom, pelo menos eu matei o que estava me matando!


Depois de mais de uma semana de fome, esse foi meu primeiro almoço decente... Comi as três sozinha e rezando pra diminuir a culpa, hehehe!


Beijos e bom apetite!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Dando umas voltas por aí...

Desde o dia da colação de grau eu ando com uma infecção de garganta horrível. Então, já que eu não estou conseguindo comer, decidi sair de casa nem que seja só pra olhar comidinhas interessantes e aprender um pouco sobre elas...


Na semana passada aconteceu aqui em Brasília o X Salão da Alimentação - ALIMENTA, e eu fui lá conferir as novidades. O evento era mais voltado para quem já possui restaurante, mas ainda assim eu me diverti... Havia stands para a divulgação do consumo de tipos diferentes de carnes (jacaré, avestruz, rã), de apiários, de cafés especiais, utensílios de cozinha, vendas de livros de técnicas, divulgação de cursos (me inscrevi em um de barista por causa da insistência de um vendedor), e muitos outros. Todos serviam amostras de comidinhas e eu não comi nada por causa da garganta (grrr...).


Dentre todos, três stands chamaram bastante a minha atenção.


No stand da empresa Malunga eu descobri que eles faz a entrega de cestas de produtos orgânicos maravilhosos em casa (o que eu sonhava ver aqui desde que ouvi sobre esse tipo de serviço no blog da Fer, da Ludmila e da Fabrícia). Eles ainda não entregam aqui no meu bairro, mas já é um ótimo começo... Meninas de Brasília, aproveitem a dica!


Outro espaço que eu adorei foi o de uma rede de sorveterias que absorveu a idéia da famosa rede que já existe em Goiânia há muito tempo e faz o maior sucesso. A “Nata do Cerrado” fabrica sorvetes de 203 sabores, sem gordura hidrogenada nem gordura trans, pouco açúcar, muitas fibras e vitaminas, poucas calorias e NADA de culpa. Os sabores são quase todos de frutas do Cerrado brasileiro. Entre tantos, os meus favoritos foram: buriti, goiaba com alecrim do campo, cajá, capim santo (erva cidreira), castanha do Pará com cupuaçu, murici, caju e jabuticaba... Fiquei apaixonada! Principalmente porque eles têm uma grande preocupação sócio-ambiental, buscando preservar o meio ambiente e dar sustento para as populações regionais. Pessoas de fora do Brasil ou brasileiros que não conhecem estas frutinhas não sabem o que estão perdendo... O Cerrado brasileiro é cheio de sabores exóticos, e eu dou o maior apoio pra vocês experimentarem! ;D


O terceiro lugar que eu adorei no salão foi o stand da associação de confeitarias e padarias do Distrito Federal. Fiquei séculos lá, só admirando as vitrines de pães e docinhos... Esqueci de levar a máquina, mas consegui tirar algumas fotos com o celular!


Tartelettes fofíssimas...


Taça Napolitana: leite condensado, chocolate líquido, chantilly sabor morango e uma cerejinha em cima. Perdição total!

Tiramisu lindo...

Alguma coisa deliciosa de chocolate que eu não sei o que era e uma tortinha de limão com merengue...



Pães e patês que pareciam maravilhosos!

E, para fechar com chave de ouro o passeio... Eu estava no caminho da saída quando vi um tumulto de mulheres correndo para um dos locais onde estavam acontecendo workshops e palestras. Eu que sou muito curiosa fui atrás da pequena multidão pra ver o que estava acontecendo. Me deparei com ninguém menos do que o chef Edu Guedes gravando um dos programas dele lá! Depois de muito me espremer no meio das senhoritas enlouquecidas (uma das vantagens de se ter 1,57 de altura é caber em espaços mínimos), consegui tirar algumas fotos através da vitrine para as meninas quem aaaamam ele.

Uma pequena observação: ele é tão bonito ao vivo quanto na TV. ;D

Beijinhos e bom apetite!!!